Em Quatro Marias, o escritor mistura ficção e história para narrar as batalhas de mulheres contra a opressão patriarcal.

Com uma narrativa que atravessa séculos da história brasileira, Alvaro Mendes explora, em Quatro Marias, a luta feminina por autonomia diante de traições, preconceitos e conservadorismos. Por meio de diferentes formatos narrativos e um rigoroso trabalho de pesquisa, o autor apresenta as histórias de quatro protagonistas que enfrentam as dores e desafios de suas épocas, em contextos que vão do século XVI à contemporaneidade.

Nesta entrevista exclusiva, Alvaro Mendes compartilha os bastidores da criação do livro, sua visão sobre a luta feminina e seus próximos projetos literários.


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Como surgiu a ideia de escrever Quatro Marias e narrar a luta feminina contra a opressão em diferentes contextos históricos?


Muitas vezes tendemos a querer enxergar outras épocas com as lentes que temos hoje. Quatro Marias é uma tentativa de buscar as lentes de cada época para uma compreensão mais precisa e abrangente das diferentes formas de opressão de algum tipo de patriarcado. E, por consequência, algumas formas possíveis de insurgência das mulheres.


Os contos abordam épocas marcantes como a Inconfidência Mineira, o Estado Novo e a contemporaneidade. Como foi o processo de pesquisa para recriar esses cenários?


Foi extenuante. Dou um exemplo: a primeira Maria, que vive no século XVI, só consegue expressar a sua insatisfação a partir de uma mudança que percebe no pronome de tratamento usado pelo marido – de “vós” para “tu”. Fui a Gil Vicente, dramaturgo da época, para ver se fazia sentido histórico aquela minha construção de personagem e enredo, e fazia.


Cada protagonista enfrenta traições conjugais e busca a autonomia de formas distintas. Por que escolheu a traição como ponto central dessas histórias?


Porque traição é visceralmente atemporal, não necessariamente um conceito só ideológico, religioso ou cultural. Cala fundo e de modo muito particular em cada indivíduo, o que permite, para além das estruturas que a comportam, a construção de personagens interessantíssimos.


No último conto, você utiliza diálogos de WhatsApp para narrar a trama. Por que decidiu adotar esse formato moderno em contraste com os cenários históricos anteriores?


Se você reparar, irá observar que há quatro narrativas distintas. No primeiro conto, existe apenas um narrador; no segundo, dois; no terceiro, a narrativa é epistolar, feita por cartas, relatos, diários; e na quarta, a do último conto, tudo se processa em linguagem de WhatsApp. É como se o leitor, com o passar do tempo, deixasse de escutar uma só verdade narrada e tivesse que ir abrigando mais vozes, para fazer a sua própria conclusão.


As protagonistas lidam com preconceitos, conservadorismo e opressão patriarcal. Qual mensagem deseja transmitir aos leitores sobre a luta feminina por independência?


Sou um homem que gosta de escrever sobre a alma e o universo feminino. Se algo de novo vier a surgir no mundo, estou certo de que terá embrião nas mulheres, como, aliás, a vida. Que a luta feminina por independência nos leve a uma interdependência não opressora entre humanos e, de resto, em comum acordo com a Natureza.


Como sua experiência como professor influenciou a construção dos temas sociais e históricos presentes na obra?


Professores costumam legar mais o entorno que pretendem modificar ou perpetuar; artistas ficam mais expostos e, por isso, entregam mais de si mesmos. Digamos que a minha experiência como professor seja a moldura de um quadro em que eu me quero exposto como quatro marias.


Quais foram os maiores desafios em unir ficção e realidade para retratar as complexidades de ser mulher no Brasil?


O Brasil é um país extenso e complexo demais pela multiplicidade de tudo que apresenta. Não podem ser iguais duas mulheres que nascem em margens opostas de um mesmo rio. Isso é a realidade singular. O desafio da ficção é trazer alguma aresta comum, por drama, desamparo ou esperança, que una ou atravesse todas essas singularidades. No caso das Quatro Marias, a aresta foi a traição.


Já tem planos para novas obras que continuem explorando temas sociais e históricos?


Estou acabando de escrever um livro que é uma distopia. Não retrata épocas históricas, mas a História construída pela humanidade está ali. Os temas sociais e existenciais também estão, bem como as relações de poder e opressão. Posso dizer que o ser humano, no todo ou em partes, é o protagonista desse meu novo livro.



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Uma resposta a “Alvaro Mendes: Quatro Marias e a luta feminina ao longo dos séculos”

  1. Avatar de Carolina
    Carolina

    Muito interessante!

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