Em tempos de busca da memória sobre os horrores impostos durante os 24 anos (1964 a 1988) da ditadura cívico-militar brasileira, o autor Silvio Damasceno buscou nas memórias reais daquele período para escrever o livro Quase-romance nos pomares da eternidade.

A história gira em torno da morte de Zé Luiz, que às vésperas da formatura em direito e do casamento, morre após ser atingido por um tiro enquanto assistia uma aula. A tragédia acontece justamente durante o período ditatorial cívico-militar do país. Os registros oficiais apontam para um acidente, causado pela queda da arma de um agente federal.
Só que em regimes autoritários a verdade não costuma ser tão cristalina, especialmente quando envolve agentes do regime. O caso deixa perguntas em aberto que apontam para uma motivação contrária: o que um servidor do governo estava fazendo disfarçado de estudante em uma universidade e por que portava uma arma carregada?
Mesmo ficcional, a história de Zé Luiz em Quase-romance nos pomares da eternidade busca inspiração na vida real. O advogado paraense Silvio Damasceno buscou em suas memórias durante seu período de estudante universitário a inspiração para o enredo.
O regime repressor caminhava para o seu declínio em 1980, quando o estudante César Moraes Leite foi baleado e morto na Universidade Federal do Pará. Posteriormente, o evento suscitou uma série de protestos e manifestações que questionavam a repressão.
Em seu livro, Damasceno utiliza a tragédia para ficcionalizar a trajetória do protagonista. Nascido no interior, ele era um ribeirinho que tinha o sonho de estudar. A escola do vilarejo onde morava não tinha ensino médio e, por isso, mudou-se de cidade para continuar a educação formal. Confrontando o próprio destino, chegou à universidade e tornou-se politicamente engajado em um período de ditadura.

A jornada de Zé Luiz se entrelaça à de Marluce, com quem vive um intenso relacionamento. Enquanto vivencia diversos problemas, como o racismo e a falta de dinheiro, a garota revela suas fragilidades ao personagem central da trama. Entre afetos e desencontros, os dois amadurecem aos poucos até se tornarem um casal prestes a se casar e com um bebê a caminho. Esse futuro amoroso e próspero, porém, é interrompido com o assassinato do protagonista.
Quase-romance nos pomares da eternidade vai além da denúncia dos crimes cometidos durante a ditadura cívico-militar. O livro narra a vida das pessoas que partem rumo à cidade grande, com uma maleta vazia em mãos e uma cabeça cheia de sonhos, e que, nesse caminho, enfrentam as durezas do mundo.
O regime autoritário se mostra uma barreira mais difícil ainda de transpor na luta por um lugar no mundo. Ao mesclar realidade com ficção, Silvio Damasceno lança um olhar para a juventude que cresce, ama e resiste diante das injustiças.
Ficha Técnica
Título: Quase-romance nos pomares da eternidade
Autor: Silvio Damasceno
Páginas: 200
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Sobre o autor
Silvio Damasceno é paraense, nascido em Ourém e morador de Ulianópolis. Aos 70 anos, é formado em Direito e atua como tabelião. Como escritor, publica o livro Quase-romance nos pomares da eternidade, inspirado em César Moraes Leite, um estudante que foi morto enquanto assistia às aulas na Universidade Federal do Pará.

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