Um dos maiores poetas brasileiros se transformou há muito anos também em um dos pontos turísticos mais conhecidos do país. Mas na imaginação de Lucianno Di Mendonça, a estátua de Carlos Drummond de Andrade, localizada na praia de Copacabana no Rio de Janeiro, ganha vida para interagir com personagens históricos e anônimos.

A história do livro Na linha do horizonte está escrito um universo parte da ideia que a estátua do poeta mineiro se vê um dia cansada de ficar dias a fio apenas sentada ouvindo histórias. É então chegada a hora de contar e viver suas próprias. E neste realismo mágico tão afeito à literatura latno-americana que Drummond assume papeis diversos, ora como protagonista, ora como coadjuvante de uma reunião de 14 histórias.
Essa narrativa busca, de forma sutil, fazer uma conexão semelhante à vida. Oo elo de todos os textos é Drummond. O poeta entãoe assume vários papéis: é interno em um abrigo de idosos, carteiro do mundo dos mortos, garçom de uma taberna de artistas e cientistas, guardião de uma passagem na Catedral de Notre-Dame, membro da equipe Apollo 11 e caseiro de Jorge Luis Borges.
Em cada uma dessas funções, a estátua modifica as experiências das pessoas ao redor por meio de diálogos, conselhos, atitudes simples e muita literatura. Nesta aventura pelo universo, o poeta Drummond transforma o cotidiano em fantasia ao mostrar que a leitura está presente no dia a dia – basta exercitar a percepção profunda da existência.
Lucianno Di Mendonça aposta em textos curtos e uma escrita leve, ao mesmo tempo que profunda, para construir a ideia de um romance espiral. Tudo no universo está relacionado e se movimenta de maneira progressiva. Outra técnica é fazer com os começos de novas histórias se pareçam com os finais, mostrando assim ligação entre os personagens que acabam sempre sendo impactados pelas vivências de quem os cerca.
Em um trabalho constante de intertextualidade, metalinguagem e um final apoteótico, as últimas páginas da obra apresentam as referências citadas na narrativa, com o intuito de incentivar os leitores a explorar diferentes textos e não parar no livro Na linha do horizonte está escrito um universo. O que faz do livro não apenas uma obra em si, mas também um convite aos leitores conhecerem as inspirações do autor, que vão do próprio Drummond, passando Jorge Luis Borges, Shakespeare, Fernando Pessoa, Victor Hugo e outros.

Mestre em Literatura e Interculturalidade pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), Lucianno Di Mendonça estreia no romance com Na linha do horizonte está escrito. O livro foi lançado pela Novo Século e está à venda em versão digital e física.
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