No Dia Mundial do Livro, o Livros N’alma convida leitores e leitoras a mergulharem nos bastidores literários de grandes jornalistas. Nesta edição especial, quem abre sua biblioteca afetiva e profissional é Leandro Mazzini, colunista político e editor da Coluna Esplanada, reproduzida em mais de 50 veículos pelo país.

Graduado em Jornalismo pela FACHA e pós-graduado em Ciências Políticas pela UnB, Mazzini tem carreira consolidada na cobertura dos bastidores dos Três Poderes e uma atuação marcante na imprensa nacional — com passagens pelo Informe JB, Gazeta Mercantil, portais iG e UOL, REDEVIDA e Record Minas.
Mas sua relação com a palavra vai além do jornalismo: é também autor de três livros, entre crônicas e romance. Confira:



- Boa Noite, Rio (2017, Litteris Editora) — Um romance ambientado nas sombras e luzes da capital fluminense.
- Corra que a política vem aí (2010, Litteris Editora) — Crônicas bem-humoradas sobre os bastidores do poder.
- O Espelho da Vida (1999, Kroart Editores) — Sua estreia como cronista, com textos que inspiraram duas peças de teatro escolares em Minas Gerais: Feliz Velório e Confissões, ambas adaptadas por alunos da Escola Estadual Padre Alfredo Kobal, de Miradouro, em 2000.
Na entrevista a seguir, Mazzini compartilha as leituras que moldaram sua escrita, sua visão de mundo — e algumas histórias de bastidor que só os bons leitores e jornalistas colecionam:
Qual foi o primeiro livro que te despertou para o poder da palavra?
O Carteiro e o Poeta, de Antonio Skármeta, o 1° romance “de adulto” que li aos 15 anos, depois de me deslumbrar com toda a coleção Vaga Lume na infância. Conheci parte da obra de Neruda através deste livro incrível, que foi para as telas também. Na juventude, depois dessa “estreia” com Neruda, também me marcaram muito as crônicas de Sabino, Rubem Braga, Rubem Fonseca, Sérgio Porto, Paulo Mendes Campos.
“A poesia não pertence àqueles que a escrevem, mas àqueles que precisam dela.”
— O Carteiro e o Poeta
Teve alguma leitura que influenciou sua escolha pelo jornalismo?
Virei jornalista porque queria ser escritor. Após anos influenciado por essas leituras supracitadas. Ainda hoje quero ser escritor. A leitura me despertou certo poder da escrita, a de narrar fatos como jornalista. E imaginar estórias como escriba.
Que autor te ensinou a observar o mundo com mais atenção?
Fernando Sabino, cuja obra toda eu li, e que infelizmente não conheci. Dele herdei o jeito mineiro de ver o mundo, o mineirês nos causos. Num segundo momento, já como jornalista, descobri toda a obra de Nelson Rodrigues. Virou meu TCC e um especial no JB Online em 2000, quando eu lá trabalhava (acho um horror o JB ter perdido tudo de seu acervo online daqueles anos). Me descobri um pouco rodrigueano, ao analisar o lado cruel do ser humano em muito do que vejo no mundo. E mais recentemente, Carlos Heitor Cony, cuja obra toda li. Dele herdei o tom realista, quase pessimista, de narrar este mundo.
A vida me proporcionou momentos felizes sobre esses três. Embora não tenha conhecido Sabino, uma vez deixei na porta de seu prédio no Rio um pote de mel que trouxe de Minas, com um bilhete e meu endereço. Recebi dele uma carta de agradecimento. Sobre Nelson, com meu especial para o JB, conheci Dona Elza, sua eterna esposa, e Nelson Filho. E de Cony virei amigo, amigo mesmo, e com ele convivi em agendas profissionais e ou pessoais, em bons momentos, durante alguns anos. De nos visitarmos e falarmos sobre a vida, livros etc. Tenho uns 8 livros autografados dele. O conheci através da secretária, que fez faculdade comigo, uma amiga que hoje, curiosamente, é minha secretária.
Qual livro você já releu — ou voltaria a reler — e por quê?
Cem anos de solidão e Dona Flor e seus dois maridos. Porque Gabo e Amado são incomparáveis, e é crime de quem deixa suas obras nas estantes. Aliás, Amado merecia o Nobel. Uma injustiça com ele.
“A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la.”
— Cem Anos de Solidão
Se tivesse que escrever uma reportagem inspirada em um romance, qual seria?
Sobre qualquer livro ou crônica de Rubem Fonseca. Ele foi genial na narrativa ficcional cotidiana. Como ex-delegado acho que ele viu coisas que nem vovó contou. Seria hilário dar vida a qualquer personagem seu.
Na sua trajetória, o que a leitura representa como ferramenta de trabalho e como refúgio?
Um refresco para a alma. uma fuga necessária da realidade, quando ficção, e uma reflexão obrigatória, quando histórias reais.



Livros que marcaram Leandro Mazzini
Se você se inspirou com a entrevista e quer mergulhar nos títulos que ajudaram a formar o olhar literário e jornalístico de Mazzini, aqui está a lista com diferentes edições disponíveis:
O Carteiro e o Poeta, de Antonio Skármeta
Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado
Obras do entrevistado
Leandro Mazzini também é autor de livros que transitam entre a crônica política, a memória afetiva e a ficção urbana. Conheça suas obras:
- Boa Noite, Rio (2017, Litteris Editora)
Um romance ambientado nas sombras e luzes da capital fluminense. - Corra que a política vem aí (2010, Litteris Editora)
Crônicas bem-humoradas sobre os bastidores do poder. - O Espelho da Vida (1999, Kroart Editores)
Estreia como cronista, com textos que inspiraram duas peças de teatro escolares em Minas Gerais.
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