Um mergulho poético no tempo, na memória e na condição humana
📘 Onde encontrar o livro:
- Kindle
- Capa comum
- Capa dura
- Edição comemorativa
- Mercado Livre
- Estante Virtual – edição de 1972
- Shopee – edição usada dos anos 70
- Versão gratuita em inglês (Project Gutenberg)



Quando Mrs. Dalloway foi publicado, em 1925, a literatura moderna já começava a mudar o modo como contamos histórias. Virginia Woolf não apenas acompanhou essa transformação — ela a conduziu.
Neste romance, acompanhamos um único dia na vida de Clarissa Dalloway, mulher da elite londrina que prepara uma festa enquanto revisita suas memórias e reflete sobre as escolhas que moldaram sua vida. O que poderia ser uma narrativa simples torna-se, nas mãos de Woolf, uma experiência quase meditativa.
A técnica do fluxo de consciência — em que os pensamentos das personagens fluem de forma contínua, como se estivéssemos dentro da mente delas — é o que marca a genialidade da autora. O tempo cronológico quase desaparece, e o que sobra é o tempo interno: sensações, lembranças, sentimentos.
Mas Mrs. Dalloway não é só um livro sobre uma mulher e uma festa. Ele também traz a história de Septimus Warren Smith, um veterano da Primeira Guerra Mundial que sofre com o trauma do conflito. A dor de Septimus e o vazio existencial que carrega contrastam com o cenário social da festa de Clarissa, criando um jogo de espelhos entre dois mundos que raramente se encontram — mas que, aqui, se tocam com força.
Uma obra, muitas leituras
Ao longo dos anos, Mrs. Dalloway se tornou não apenas um clássico, mas um livro que ganha novos sentidos a cada leitura. Questões como tempo, memória, saúde mental, papéis de gênero, solidão e pertencimento atravessam o texto com delicadeza e profundidade.
O centenário da obra é uma ótima oportunidade para revisitá-la — ou conhecê-la pela primeira vez. Há edições belíssimas no mercado, incluindo versões comemorativas, e também uma alternativa gratuita em inglês, disponibilizada pelo Projeto Gutenberg.
Woolf nas telas

A obra já foi adaptada diretamente para o cinema no filme Mrs. Dalloway (1997), dirigido por Marleen Gorris, com roteiro de Eileen Atkins e atuação marcante de Vanessa Redgrave no papel principal.
Mas talvez o maior tributo a Mrs. Dalloway no cinema tenha vindo em 2002, com o filme As Horas, baseado no livro de Michael Cunningham, vencedor do Pulitzer. Dirigido por Stephen Daldry, o longa entrelaça três histórias:

Virginia Woolf (Nicole Kidman), enquanto escreve o romance;
Laura Brown (Julianne Moore), dona de casa que o lê;
Clarissa Vaughan (Meryl Streep), que o vive de forma simbólica nos tempos modernos.
O resultado é uma homenagem sensível à literatura e à sua capacidade de atravessar gerações e transformar vidas.
Um amor entre palavras

A vida de Virginia Woolf também inspirou o filme Vita & Virginia (2018), sobre o intenso relacionamento entre a autora e a escritora Vita Sackville-West. A relação entre elas foi tão poderosa que inspirou outra obra-prima de Woolf: Orlando.
Por que ler Mrs. Dalloway hoje?
Porque o tempo passa, mas as grandes perguntas continuam. Woolf nos convida a observar a vida de dentro pra fora — e poucos autores conseguiram tornar o cotidiano tão literário quanto ela.
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