Matheus Moori fala ao Livros N’alma sobre como a filosofia e o estilo Animal Fiction se unem para abordar temas profundos como luto, finitude e tradição

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Em *A Neve e a Flor*, o autor Matheus Moori utiliza o estilo conhecido como Animal Fiction para construir uma fábula poética sobre o luto, a espiritualidade e a dualidade da vida. A obra, disponível na Amazon em formato físico e digital, apresenta uma narrativa profunda e simbólica, protagonizada por animais que encarnam dilemas humanos universais.
Graduado em filosofia pela PUC-Campinas, Moori constrói um universo rico em mitologia e metáforas, onde os personagens Erin e Roar enfrentam perdas, aprendizados e a aceitação da impermanência.
A seguir, o autor fala ao Livros N’alma sobre o processo criativo, suas inspirações e o papel da literatura como caminho para a introspecção.
O que o motivou a abordar temas tão profundos como a finitude da vida e o luto por meio de uma narrativa com personagens animais?
Na mesma época em que minha avó parecia estar perto do fim, eu assisti a um episódio da série Primal, de Genndy Tartakovsky, no qual uma manada de mamutes realizava um ritual para se despedir de um membro falecido. Foi da junção desses dois eventos que me inspirei a imaginar a velhice, o luto e a morte sob a perspectiva dos animais.
A escolha do estilo Animal Fiction traz uma perspectiva singular para lidar com dilemas humanos. Como foi o processo criativo para desenvolver os personagens e suas histórias?
Tal qual o estilo de fantasia (como o de Tolkien) tece o seu universo inventando culturas, raças e línguas próprias, o estilo Animal Fiction se propõe a criar um universo original partindo de duas premissas: imaginar culturas verossímeis, podendo nos basear em culturas históricas ou atuais, e pesquisar o comportamento das espécies de animais retratadas na narrativa de modo que a cultura atribuída a cada espécie combine. Tomando os predadores como exemplo, fazia sentido associá-los a uma cultura guerreira, como a dos nórdicos. Contudo, a ideia é criar culturas, não as copiar, sendo que a crença dos predadores no pós-vida foi inventada nesse universo.
A obra apresenta a morte como um processo natural e intrinsecamente ligado ao sentido da vida. Qual mensagem você deseja transmitir ao leitor com essa visão?
A vida é um fluxo constante e paradoxal. Aceitar a dualidade e a não transitoriedade da vida é entender que o sofrimento não é intransponível. Tudo é transitório entre o bom e o ruim, e muitas vezes, o bom é o que possibilita o ruim, e vice-versa. Por exemplo, se não tivéssemos passado momentos memoráveis com determinada pessoa, não sofreríamos tanto quando ela vai-se embora. A própria morte, embora pareça apenas o assustador ponto final, recheia todos os momentos anteriores com maior significado, pois saber que existe um fim nos faz perceber aquilo que nos é mais importante: o tempo.
Erin e Roar enfrentam desafios que simbolizam coragem e aceitação. Como esses personagens refletem suas próprias reflexões filosóficas sobre a vida e a morte?
Erin representa o desafio de abraçar o luto em vez de negá-lo. Abraçar significa aceitar os aspectos bons e ruins da vida em vez de negar os aspectos ruins, mas sem os quais os bons aspectos também não existiriam. Para mim, o que ajuda a atravessar o sofrimento não é fugir dele, mas recebê-lo como passageiro, assim como os momentos que o antecedem e o sucedem. O desafio de Roar é aprender a ser grato pela vida, mesmo que o seu final pareça tão amargo, pois ele a viveu intensamente. Para mim, Roar representa o medo da velhice, de perder suas capacidades que o tornavam especial, e por isso nos ensina a lição de continuar a viver demonstrando bravura mesmo que o seu auge tenha acabado.
O livro combina filosofia e literatura de forma poética. Quais foram suas maiores inspirações literárias e filosóficas para esta obra?
O estilo de Animal Fiction já tinha vários expoentes, como Watership Down, de Richard Adams, no qual os coelhos formam comunidades com cultura, política, religião e costumes aos moldes humanos, mas que são criações originais do autor. Isso me deu inspiração para criar minha própria obra dentro desse gênero. Quanto às referências filosóficas, uma das mais relevantes é a de Santo Agostinho: segundo o filósofo/teólogo, Deus enxergaria passado, presente e futuro ao mesmo tempo como um observador de cima de uma montanha consegue ver simultaneamente norte, sul, leste e oeste. Na narrativa, apliquei tal conceito ao criar a mitologia dos pássaros, que conseguem ver tudo de cima ao voar.
Como graduado em filosofia, qual a importância de trazer reflexões existenciais para o público por meio da ficção?
Aristóteles já dizia que a filosofia “nasceu do espanto”. Todos nós nos deparamos com situações da vida que suscitam reflexões filosóficas, e em alguns casos, essas situações podem ser tão intensas que nos impelem desesperadamente a encontrar respostas, como é o caso do luto. Ninguém pode garantir respostas absolutas, mas reflexões tecidas em narrativas como um romance podem propiciar um momento saudável de introspecção que ajude o leitor a entender melhor os seus sentimentos e pensamentos.
Já existem planos para futuros projetos que continuem explorando temas filosóficos e existenciais na literatura?
Tenho ideias definidas para alguns contos que também reflitam sobre a natureza da morte e a dualidade da vida. Não tenho nada definido para novos romances, mas gostaria de recomendar o livro antecessor de “A neve e a flor”, que considero sua obra irmã: “A pérola no mar da alma” (Lura editorial, 2022), o qual também explora o questionamento diante da morte e a impermanência da vida, mas aprofunda-se principalmente na necessidade de autoconhecimento diante dessa impermanência.
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