Em O que me falta…, o autor mistura experiências pessoais e profissionais para abordar questões emocionais e sociais do envelhecimento e da diversidade.

Mário Cezar da Silveira, arquiteto especializado em acessibilidade e escritor, traz em O que me falta… um romance sensível que reflete sobre temas como Alzheimer, envelhecimento, preconceitos sociais e a importância de ambientes inclusivos. Inspirado por vivências pessoais, o autor dá voz a Anna, uma protagonista que enfrenta as perdas da memória e os desafios de um lar despreparado para sua nova realidade.


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O que o inspirou a escrever um romance tão sensível sobre Alzheimer e os desafios do envelhecimento?


Eu queria falar de preparar os espaços com acessibilidade para o nosso envelhecer, então criei a personagem Anna, que passa a ter Alzheimer e cujas perdas sofrem a interferência de sua casa despreparada.


Anna, a protagonista, enfrenta várias perdas ao longo da vida, inclusive de sua memória. Como foi o processo criativo para dar voz a uma personagem com Alzheimer?


Foram muitas consultas a geriatras e neurologistas. Parte da narrativa das perdas pelo Alzheimer é feita pela própria Anna, então a dificuldade de narrativa exigiu muita responsabilidade.


A obra aborda temas como preconceito racial, transgeneridade e conflitos familiares. Qual a importância de trazer essas questões para a narrativa?


Vivemos num momento histórico onde esses temas precisam ser discutidos. Criei dois personagens que trazem essa discussão e que valorizam o enredo do romance.


O livro explora o conceito de acessibilidade em diferentes aspectos. Como sua experiência como arquiteto especializado em acessibilidade influenciou essa abordagem?


Minha filha Carolina tem sequelas de paralisia cerebral, o que me fez rever conceitos arquitetônicos e estudar acessibilidade. Esse foi o tema do meu primeiro romance. Agora precisava falar de acessibilidade para envelhecer.


O que me falta… é descrito como um romance sobre liberdade, diversidade e memória. Qual mensagem você espera transmitir aos leitores com essa combinação de temas?


Minha intenção com o romance O que me falta… é, além do prazer da leitura, provocar reflexões sobre envelhecer e a qualidade dos espaços.


Além de escritor, você também ministra palestras sobre acessibilidade. Quais são os maiores desafios para promover um ambiente verdadeiramente inclusivo no Brasil?


O Brasil tem ótimas leis e normas de acessibilidade. A dificuldade é a mudança de paradigmas para sua aplicação, principalmente nos municípios e na visão dos gestores sobre a importância de calçadas para todos.


Existem planos para futuras obras que continuem abordando temas sociais e emocionais como os tratados em O que me falta…?


Estou concluindo um livro infantil cujo personagem central é uma galinha com síndrome de Down, que não consegue botar ovos ovais, apenas em outras formas geométricas. Também estou finalizando o romance Naquele instante, em que um dos personagens leva um tiro, fica tetraplégico e enfrenta desafios para alcançar autonomia e independência.



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“O livro caindo n’alma / é germe – que faz a palma / é chuva – que faz o mar.”

~ Castro Alves

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