Em Os Fantasmas de Borgo Palazzo, a escritora combina experiências pessoais e elementos místicos para explorar os desafios emocionais e sociais de ser imigrante.

No lançamento Os Fantasmas de Borgo Palazzo, Gisela Rao narra a jornada de Adah, uma protagonista que encontra espectros no Cimitero Monumentale di Bergamo, na Itália. A obra entrelaça o sobrenatural e a autoficção para abordar temas como imigração, solidão e busca por significado. Inspirada por vivências pessoais, Gisela também reflete sobre o vazio espiritual e a luta pela autoestima em dias difíceis.

Nesta entrevista exclusiva, a autora compartilha suas reflexões sobre a crise de leitores no Brasil, a influência de sua vida na Itália em sua escrita e como a literatura pode ser uma ferramenta de apoio emocional.


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Como você enxerga a queda no número de leitores no Brasil? Quais fatores acredita que estão contribuindo para essa redução?


Acho que tudo que é mais fácil e com mais estímulos: streaming e, principalmente, internet. Algumas boas livrarias também fecharam, infelizmente.


Em sua opinião, o que pode ser feito para incentivar novos leitores e reverter essa tendência?


O “veneno da cobra” (rs). A internet rouba leitor, mas também pode estimular via influencers. Felipe Neto faz um bom trabalho nessa área, por exemplo. O próprio streaming também pode ajudar lançando filmes baseados em obras, o que sempre ajuda nas vendas.


Morando na Itália há um ano, como você compara o mercado literário brasileiro com o europeu?


A Itália é muito forte no setor cultural. Aqui, o digital não tem tanta força quanto no Brasil. Não se perde tanto tempo em mídias sociais, por exemplo. Os dados do mercado de livros vêm crescendo desde 2022. 43,7% leem até 3 livros por ano, enquanto os “leitores pesados” (12 ou mais livros lidos em um ano) são 15,4%, segundo a Nielsen IQ. A maioria dos leitores são jovens e mulheres. Por outro lado, não se vê mais jovens nos cinemas.


Quais estratégias de fomento à leitura adotadas na Europa poderiam ser aplicadas ao Brasil?


São culturas muito diferentes e é preciso táticas distintas, como citei antes. O colegial aqui, por exemplo, é muito forte. É praticamente um curso técnico, e acredito que isso estimule os jovens.


Sua nova obra mistura elementos de autoficção e sobrenatural. Por que escolheu essa abordagem para tratar de temas como imigração, solidão e busca por significado?


Acho que a abordagem me escolheu (rs). Eu senti muita solidão no meu primeiro Natal na Itália e também estava um pouco desiludida com os vivos (rs). Um dia, passeando no cemitério de Bergamo, vi a sepultura de um jovem de 17 anos que se acidentou de moto. Havia várias fotos e objetos dele, deixados pela família e amigos.

Quis dar voz a esse mocinho, como se ele ainda estivesse vivo, e foi aí que surgiu a ideia de começar a falar com os fantasmas. Mas eu não queria que o livro apenas entretivesse; queria ajudar quem estivesse só e abordar temas delicados como imigração, xenofobia e baixa autoestima.


Como suas experiências pessoais na Itália influenciaram a escrita deste livro?


Minha paixão pelo mistério (e tem muito disso no medieval), meus conhecimentos na área de turismo, os grupos de WhatsApp com relatos de brasileiros sofrendo golpes, o olhar desrespeitoso de alguns homens quando se fala que é brasileira, e, claro, a sensação de solidão que, às vezes, aparece.


Você acredita que a literatura pode ajudar imigrantes a encontrar seu lugar no mundo?


Acho que a arte é a grande redenção do ser humano. Ela empodera porque muitos escritores sabem “calçar os sapatos” dos outros. Também acho que faz companhia em dias difíceis. Meu livro é um deles. Eu mesma o li outro dia, porque estava precisando (rs).


Como a literatura pode ser uma ferramenta para elevar a autoestima e enfrentar desafios emocionais?


Primeiro, percebendo que mais pessoas passam pelo que a gente passa. Segundo, sendo um bom companheiro para muitas horas. Enquanto escrevi o livro, os fantasmas (personagens) me faziam companhia. Sinto falta deles (rs).

Por fim, nos ajudando a nos autoconhecer, que, sem dúvidas, é a chave para a felicidade: “Conhece-te a ti mesmo.”



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