No romance, a autora reflete sobre a humanidade, o livre-arbítrio e as escolhas que moldam nosso mundo.

Em O Cochilo de Deus, seu primeiro romance, Raïssa Lettiére combina realismo e elementos metafísicos para criar uma narrativa que atravessa séculos e convida os leitores a refletirem sobre as escolhas humanas, o acaso e o vazio espiritual. Com uma trama instigante e personagens conectados por um mistério comum, o livro desafia o leitor a questionar os rumos da humanidade e as nuances do livre-arbítrio.
Nesta entrevista exclusiva, a autora fala sobre o processo criativo, as inspirações por trás da obra e os desafios de conciliar temas filosóficos com uma narrativa envolvente.

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O que a motivou a escrever O Cochilo de Deus e abordar temas tão profundos como o vazio espiritual e o sofrimento humano?
Esses temas fazem parte das minhas divagações e inquietações espirituais. Entendo que algumas literaturas surgem da angústia que o(a) escritor(a) traz consigo. E ela é traduzida nas vidas dos personagens.
A narrativa atravessa séculos e reúne personagens de diferentes épocas. Como foi o processo criativo para entrelaçar essas histórias de forma coesa?
Foi um processo de muita complexidade, que exigiu cuidado extremo para não deixar nenhuma ponta solta e, ao mesmo tempo, para permitir que o leitor construísse a história à medida que fosse lendo.
A ideia do “cochilo de Deus” traz uma reflexão instigante. O que essa metáfora representa para você?
Creio que significa o silêncio do mistério, que deveria nos silenciar também. Mas o ser humano adora proclamar e convencer o outro das suas verdades.
Você utiliza uma variedade de estilos narrativos ao longo do livro. Por que escolheu essa abordagem e quais foram os desafios de trabalhar com essa diversidade?
Foi um processo natural. À medida que os personagens e suas histórias iam amadurecendo dentro de mim, o estilo para cada um se apresentava de forma clara.
Temas como livre-arbítrio, acaso e destino são centrais na obra. Como você acredita que esses conceitos influenciam nossa visão de humanidade?
Esses conceitos podem influenciar de formas divergentes dependendo da pessoa. Se alguém tende a cristalizar suas conclusões, também tenderá a elaborar esses conceitos de forma religiosa, dogmática. Por outro lado, para aqueles que acreditam que passarão a vida sem encontrar respostas para perguntas fundamentais, esses conceitos são extremamente valiosos como exercícios potentes para a mente investigativa. Quanto mais praticarmos nossa capacidade questionadora, mais amplitude terá nosso universo interior.
Qual a importância de provocar os leitores a refletirem sobre os rumos da humanidade em tempos tão complexos?
É fundamental. Apenas ações humanas que partem de reflexões profundas são transformadoras. Qualquer ação superficial esmorece com o tempo.
Como sua experiência como fundadora da Verus Editora influenciou sua escrita e visão de mundo literária?
Ser editora sempre me permitiu comungar com os livros o tempo todo. Certamente isso me influencia como escritora.
O livro mistura realismo e elementos metafísicos. Como você equilibrou essas duas dimensões na narrativa?
Não busquei forçar esse equilíbrio. Deixei que as oportunidades narrativas dentro da história se apresentassem naturalmente para então lapidá-las.
Já há planos para futuros projetos literários ou outros livros que abordem temas semelhantes?
Sim. Escrever ficção que favoreça reflexões metafísicas e existenciais é o meu caminho no momento. Estou finalizando um livro e elaborando mais dois romances.
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