Em Manairama: Maldição e Vida, o autor explora desigualdades, resistência e a rica cultura do semiárido brasileiro.

A vida no sertão nordestino é marcada por desafios, mas também por uma resiliência ímpar. No romance Manairama: Maldição e Vida, Raimundo Sales nos transporta para uma cidade fictícia, onde uma maldição lançada durante a fundação reverbera em desigualdades sociais, preconceitos e violência. Com uma narrativa que mistura humor, fé e arte, o autor revela o espírito de luta dos nordestinos.
Nesta entrevista exclusiva, Sales compartilha os bastidores da obra, fala sobre as metáforas sociais presentes no livro e antecipa projetos futuros que continuarão a valorizar a cultura nordestina.

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Como surgiu a inspiração para escrever Manairama e retratar uma cidade amaldiçoada no sertão nordestino?
A inspiração surgiu com meu primeiro livro, Um Sertanejo, publicado em 2019, uma miscelânea de biografia, contos e crônicas sobre meu avô materno. Muito desse primeiro livro reaparece em Manairama, principalmente a luta do sertanejo contra as secas.
A narrativa utiliza uma linguagem coloquial, semelhante às fofocas e conversas das calçadas. Por que escolheu esse estilo e como ele contribui para a atmosfera da obra?
Escolhi este estilo para realçar a coloquialidade muito rica da região e levar esse imenso mundo de tantas palavras desconhecidas para outras regiões do nosso Brasil e outros países.
A maldição lançada durante a fundação de Manairama parece refletir problemas sociais persistentes. Como você enxerga essa metáfora na realidade atual do Nordeste?
Apesar de ter se desenvolvido muito desde a década de 80 do século passado, o semiárido nordestino ainda precisa de muita atenção. Acredito, independentemente da cor da bandeira ou ideologia política, que a Zona Franca de Manaus era para ter sido criada no sertão semiárido nordestino.
Os personagens enfrentam violências, desigualdades e preconceitos. Qual deles você considera mais representativo da luta diária dos nordestinos?
O preconceito, sem dúvida. Escutamos muito em outras regiões: “Todo nordestino come lagartixa”.
As ilustrações de Marcos Aurélio complementam a narrativa. Como foi a parceria e o processo de escolha dessas imagens?
Marcos Aurélio era vizinho da minha sogra, e foi uma indicação da minha esposa. Fiz o esboço desses desenhos, e ele ilustrou magnificamente. As ilustrações retratam um sertão nordestino que não existe mais.
A trama aborda temas como migração, pobreza e resistência. Que mensagem deseja transmitir com essas histórias?
A mensagem é mostrar a luta do nordestino pela sobrevivência (vida). No Brasil, não há um espírito de luta maior que o dos nordestinos.
Como sua carreira no Direito influenciou a sua visão sobre justiça e desigualdade, refletida nos enredos de Manairama?
Ajudou a ver que, na política local, há muitos fatos ilegais, que geram muitas injustiças sociais.
Você já foi finalista do Prêmio Selo Off Flip. Como essa experiência impactou sua jornada como escritor?
Foi excepcional. Significa que tenho feito um trabalho sério e de muito esforço. Lembro da nossa muito querida Clarice Lispector: “É muito difícil ser escritor”.
Já existem planos para novos livros que continuem explorando a cultura e os dilemas sociais do Nordeste?
Sim. Praticamente já concluí a biografia Ulisses Potiguar: Luz do Seridó, sobre um médico e ex-deputado federal da região, onde abordo o cotidiano dele no atendimento às pessoas mais necessitadas financeiramente e o atraso da região no aspecto médico.
Também estou esboçando o romance Vidas Nordestinas, onde uma mãe, que morou na região Sudeste, decide voltar para o sertão semiárido com seus três filhos, enfrentando os desafios de uma realidade marcada por preconceitos e desigualdades.
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