No romance Rio de Vênus, mitologia grega e realidade contemporânea se encontram em uma narrativa envolvente e reflexiva.

Você já imaginou como seria se a deusa do amor, Afrodite, voltasse à Terra para observar nosso mundo e guiar uma história repleta de liberdade, autodescoberta e desafios femininos?

No romance Rio de Vênus, a psicóloga e analista junguiana Patrícia de Luna leva o leitor em uma viagem sensorial que conecta o Brasil e a Grécia, passando por temas como arte, desejo, mitologia e imposições culturais.

Narrado pela própria Afrodite, o livro é um mergulho em reflexões sobre o feminino, as relações humanas e a busca pela autonomia. Em uma entrevista exclusiva, Patrícia revela os bastidores da criação de sua obra, fala sobre as inspirações reais por trás da história e compartilha sua visão sobre a importância do resgate do feminino no mundo atual.


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O livro mescla mitologia grega com a realidade contemporânea do Rio de Janeiro. Como surgiu a ideia de combinar esses dois universos?


A ideia surgiu quando decidi que Afrodite seria a narradora de uma história que se passa nos dias de hoje sobre um casal que ela une. Assim como em Tróia, quando ela uniu Péricles e Helena. A deusa volta ao nosso mundo e, enquanto segue a mulher que a invocou, observa, vive, critica, comenta e tem o desafio de entender o que a trouxe de volta.


Afrodite é uma narradora bastante incomum. Por que escolheu a deusa do amor para guiar a jornada da protagonista?


Fui à Grécia em 2015 para um workshop de dança e alquimia com a Zola Durbinikova. Na época, a crise de refugiados estava no auge. Aceitei ser voluntária em Lesbos com duas alemãs que conheci no workshop e costumavam passar férias na ilha. Nossa ação consistia em ajudar a tirar as boias da praia. Os refugiados chegavam a cada 15 minutos pelo mar Egeu, os pescadores passaram a pescar pessoas do mar, o cenário era de muita tristeza.

Sentei-me na praia e comecei a pensar como seria se Afrodite surgisse do mar no meio dos botes, naquele momento. Afinal, aquela ilha, há milênios, tinha sido o local onde a famosa poetisa Safo adorava a Afrodite. Eu me perguntei o que ela diria do mundo, o que diria dos relacionamentos e da mulher se voltasse hoje? Então decidi escrever um romance no qual ela voltaria de fato e seria a narradora participativa, tendo como desafio descobrir por que voltou ao nosso mundo, enquanto narra uma história de amor do casal que ela une.


Rio de Vênus aborda questões de liberdade feminina e imposições culturais. Qual foi o maior desafio ao tratar desses temas?


Eu precisava pesquisar para construir uma voz narrativa para Afrodite que fizesse sentido. Precisei pesquisar a história do desejo, os desafios da mulher e o arquétipo de Afrodite ao longo da História. Não faria sentido ela ser narradora e não ter nada para dizer do mundo e das relações. Queria que sua crítica e olhar tivessem coerência com suas histórias e o que ela representa.


Como suas experiências como analista junguiana e viajante influenciaram a construção da narrativa?


Não seria possível escrever esse livro sem isso. Toda minha pesquisa parte desse olhar de analista junguiana sobre o mundo, as pessoas e a história. Por exemplo, o Roger Woolger, analista junguiano que escreveu A Deusa Interior, esteve comigo algumas vezes. Ele viajava o mundo estudando como os arquétipos das deusas – que simbolizam características encontradas individualmente nas mulheres – eram vivenciados na mulher atual.

Quando estou pesquisando, eu viajo em busca de pesquisadores, livros e vivências que possam servir para o livro. Tento fazer uma literatura sensorial e imersiva, onde a pessoa mergulha comigo nessa viagem através da história.


Há personagens inspirados em pessoas reais na trama. Alguma dessas histórias deixou uma marca especial em você?


Todas. A Zola me trouxe essa ideia de resgatar o feminino na prática. O que a Clarissa Pinkola Estés fala no livro Mulheres que Correm com os Lobos com “ache a mulher selvagem”, a Zola vivencia no corpo e vive essa jornada.

Tem um pescador que eu cito no livro que concorreu ao Nobel da Paz, porque acho a solidariedade uma coisa avassaladora e radical. Ele chegou a passar uma noite tirando sessenta pessoas do mar. Isso mudou a forma de ver meu entorno e tentar fazer mais pelo outro.


Que mensagem você espera transmitir às leitoras que, como Zoe, buscam autonomia e autodescoberta?


Tem uma frase que traduz isso no livro, que é: “Ache a voz da alma, volte ao templo do coração”. Acho o feminismo um movimento necessário ontem e hoje, mas precisamos também de uma revolução de resgate do feminino em nós e no mundo.

Muito do feminino foi suprimido nas sociedades patriarcais. Além disso, na luta para ganhar espaço, a gente se sobrecarregou, assumiu mil papéis. Precisamos ser validadas pelo que somos e não pelo que a sociedade e os movimentos políticos querem de nós. Para mim, o retorno da deusa não tem uma conotação pagã, mas sim arquetípica – a deusa sendo o feminino, a alma, as necessidades reais do nosso corpo e do ser.



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