Em seu novo livro, “História de H”, explora o etarismo, a liberdade e a saúde mental em um romance que equilibra humor e drama.

D.B. Frattini é dramaturgo e escritor, com uma trajetória marcada pela versatilidade e profundidade artística. Tendo começado sua carreira no teatro, Frattini traz para a literatura a influência das estruturas da tragédia e da comédia, elementos que enriquecem suas narrativas. Em História de H., seu mais recente romance, ele aborda temas complexos e pouco explorados, como o etarismo e a ressignificação da vida na terceira idade. Uma curiosidade mencionada pelo autor é que, para ele, a “polifonia de vozes” – característica marcante de sua obra – não é apenas uma escolha estilística, mas uma necessidade narrativa. “Seria injusto frear o pensamento intrusivo”, afirma, demonstrando sua dedicação em dar voz às múltiplas perspectivas de seus personagens.

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Confira a íntegra da conversa com D.B. Frattini e mergulhe nos bastidores de História de H.:
O etarismo é um tema ainda pouco explorado na literatura brasileira. O que o motivou a abordar essa questão em História de H.?
O etarismo costuma aparecer quando um idiota desqualifica uma pessoa por causa de sua idade, atitude infeliz que pode causar muitos prejuízos para todos os envolvidos na questão. Todos nós um dia fomos muito jovens e, naturalmente, iremos envelhecer se o tempo e as circunstâncias permitirem. Morrer cedo é uma boa saída apenas para suicidas em potencial. No romance “História de H.”, o protagonista é um sexagenário singular que não admite nenhuma espécie de exclusão.
Como você enxerga a relação entre envelhecimento e liberdade na sociedade contemporânea?
O envelhecimento na Sociedade Contemporânea deve ser encarado com naturalidade e alegria. A sociedade que não respeita e não valoriza os idosos está fadada ao obscurantismo, à ignorância.
Sua experiência no teatro influenciou a escrita deste romance? De que forma?
A dramaturgia foi o primeiro endereço da minha escrita e sou tremendamente influenciado pela estrutura da tragédia e da comédia. Minhas personagens são desenhadas com rigor e ironia. Procuro movimentar as narrativas no momento de entregar emoções, sentimentos e sensações para o leitor.
Como foi o processo de criar personagens tão complexos e interligados, como H. e os demais coadjuvantes?
Foi natural. Não me preocupo com as consequências causadas pelas atitudes das personagens; escrevo e acompanho a narrativa no sentido do esclarecimento e da verossimilhança. Penso que a ficção sempre está além do artista que a escreve.
História de H. toca em questões profundas de saúde mental e luto. Como você trabalhou para equilibrar o humor e o drama nessas narrativas?
O equilíbrio, por incrível que pareça, está centrado no próprio conflito. O fluxo de consciência desses seres inventados é uma teia que se arma e se destrói com facilidade. São pessoas comuns e, ao mesmo tempo, são seres únicos que sofrem e procuram pela alegria. Gente que conseguiu escapar da miséria financeira (usando recursos pouco ortodoxos) para enfrentar a miséria existencial. Gosto de pensar no mistério da existência como a única saída para o tédio.
Que mensagem você espera transmitir aos leitores ao tratar de temas como luto e ressignificação da vida?
Minha “mensagem” para o leitor é sempre otimista. Todo escritor de ficção acaba virando um mentiroso contumaz. Pessoalmente sou extremamente pessimista. Em “História de H.” a ressignificação da vida é a própria vida, as personagens estão ligadas dentro de um jogo bastante perigoso, um jogo sem lados determinados ou limites preestabelecidos.
A obra é descrita como uma “polifonia de vozes”. Por que optou por essa estrutura narrativa?
Não existe opção. A polifonia faz parte do meu “jeito” de escrever, e, no caso de “História de H.” o recurso é emergencial. H. conta sua trajetória e os outros precisam estabelecer seu território. Seria injusto frear o pensamento intrusivo.
Qual foi o maior desafio ao escrever uma história que mistura tantas trajetórias pessoais?
Não penso que um desafio seja maior do que outro no momento de compor um romance. É tudo muito difícil, demorado e cheio de espinhos. Escrevo por obrigação íntima, e a tal obrigação está grudada nessas criaturas inventadas que contam a vida sem pudores. Odeio chatice, não tenho tempo para dourar a pílula. “História de H.” é um romance divertido para leitores que fogem de idiotices.
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