Em “Ana Laura (Com Certeza) Já Superou Sua Ex”, o autor traz humor, superação e um namoro falso em uma Porto Alegre aconchegante.

Em Ana Laura (Com Certeza) Já Superou Sua Ex, o autor não-binário I.K. Prado nos apresenta uma comédia romântica envolvente e repleta de representatividade LGBTQIAPN+. Ambientada em uma aconchegante cafeteria em Porto Alegre, a obra aborda temas como superação emocional, amizade e os desafios de lidar com o passado.
A narrativa é marcada pelo humor leve e pela dinâmica intrigante de um namoro falso, protagonizado por Ana Laura e sua colega Clara. Entre reencontros inesperados e decisões impulsivas, o livro questiona até que ponto podemos nos enganar sobre nossos sentimentos e até quando é possível fingir que superamos alguém.
Nesta entrevista para o Livros N’Alma, I.K. Prado compartilha suas inspirações, reflexões sobre representatividade e o papel da literatura na desconstrução de preconceitos. Uma conversa que destaca a importância de histórias diversas e autênticas na cena literária contemporânea.

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Leia a entrevista:
1. Ana Laura (com certeza) já superou sua ex aborda a diversidade e a representatividade LGBTQIAPN+. O que motivou você a trazer esses temas para o enredo?
Acredito que como uma pessoa LGBTQIAPN+ que cresceu quase sem referências de outras pessoas da comunidade, eu precisava aproveitar o espaço que eu tinha para falar de gente como eu com naturalidade. Para que outras pessoas como eu se vissem nos meus personagens.
2. O cenário do Café do Cantinho é muito presente no livro. Como surgiu a ideia desse ambiente e que papel ele desempenha na história?
Eu queria que o ambiente principal do livro fosse vivo, quase como um personagem por si só, para que o leitor conseguisse entender o quão importante era salvá-lo da falência. Eu acho que cafeterias são o lugar favorito de todo escritor, são aconchegantes e costumam ser ótimas para passar a tarde escrevendo, então, quis criar um espaço que eu mesmo fosse curtir frequentar. Garanto que eu bateria ponto toda semana no Cantinho, se ele existisse de verdade. Haha.
3. A construção de personagens autênticos e relacionáveis é um dos pontos fortes da sua narrativa. Houve inspirações pessoais ou experiências de vida que influenciaram Ana Laura e Clara?
Acho que é impossível nunca colocar nada de si ou das pessoas ao seu redor nos livros, mesmo que de forma sutil. Nada do que se passa na história é baseado em fatos reais, mas tem muito de mim na forma com que as personagens reagem diante das situações. Como por exemplo, as questões da Clara com o fato de só estar começando agora a fazer o que realmente ama. Eu tenho vinte e sete anos, já trabalho com o “meu sonho” há quatro, e mesmo assim, ainda não tenho muita certeza do que eu tô fazendo da minha vida. A forma dela de encarar essas questões é muito parecida com a minha, e os conselhos que a Ana Laura recebeu são coisas que eu teria adorado ouvir alguns anos atrás.
4. A ideia do “namoro falso” é uma proposta divertida e também intrigante. Como foi desenvolver essa dinâmica entre as protagonistas?
Nunca me diverti tanto escrevendo um casal! A Clara e a Ana Laura são mulheres completamente diferentes e elas têm visões de mundo muito diferentes, isso criou uma dinâmica divertida que, por muitas vezes, me fez rir de conversas que fui eu mesmo quem escreveu!
5. A amizade e o suporte emocional são temas importantes no livro. Poderia falar sobre a importância desses elementos na narrativa e na vida real?
Nossas relações são a coisa mais importante que temos na vida, ninguém vive sozinho. Seja família ou sejam amigos, todos precisamos de suporte, de alguém para “puxar nossa orelha” ou para ajudar a encontrar soluções para nossos problemas. Tanto a Clara quanto a Ana Laura têm suas redes de apoio consolidadas, aquelas pessoas que vão estar ao lado delas independente do que esteja acontecendo.
6.. Como foi o processo de criação para equilibrar o tom leve e humorístico com temas de superação e crescimento emocional?
Foi mais tranquilo do que parece. Eu mesmo sou uma pessoa que lida com os problemas fazendo piadinha “da própria desgraça”, então foi meio natural inserir isso na trama. Nesse ponto, a Clara se parece bastante comigo.
7. Sendo um autor não-binário, qual a importância de incluir protagonistas LGBTQIAPN+ em suas obras? Como você enxerga o papel da literatura nesse processo de inclusão?
Pra mim, é uma questão bastante simples: precisamos tratar de assuntos e vivências Queer com a maior naturalidade possível, até que se torne um tema natural de verdade. Sempre vai ter alguém em algum lugar que nunca se viu em um papel de protagonismo, e sendo uma pessoa da comunidade, sempre terei como prioridade conversar diretamente com essas pessoas.
8. Que mensagem você espera que os leitores absorvam ao final do livro? Existe alguma reflexão que gostaria de provocar?
Tem uma cantora que eu gosto bastante que disse uma vez que “não é porque você ainda não chegou lá, que você nunca vai conseguir”, e eu acho que essa é a maior mensagem de Ana Laura (com certeza) Já Superou Sua Ex. A gente não pode medir nossa vida pela régua dos outros, cada um tem suas vivências e suas experiências e o seu tempo para conquistar as coisas. Não dá pra ficar se comparando o tempo todo porque “fulano tem minha idade e comprou uma casa”, ou “cicrano se formou na faculdade e já conseguiu a vaga dos sonhos”. Tudo tem seu tempo pra acontecer, a gente só não pode ficar sentado esperando que as coisas caiam do céu.
9. Para aqueles que estão entrando em contato com a literatura LGBTQIAPN+ pela primeira vez, que autores ou obras você recomendaria?
Alguns dos meus autores LGBTQIAPN+ favoritos e que também escrevem para o público Queer são a Arquelana (autora de Querida Penélope, que também é publicado pela Qualis) e Casey McQuiston (que além de escrever para o público da comunidade, também é uma pessoa não-binária). São autores que escrever narrativas profundas de forma leve, e acho que é um bom jeito de adentrar na literatura Queer.
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