Um encontro transformador na savana sul-africana e temas sociais complexos permeiam o primeiro romance da autora.

A psicanalista, escritora e mentora de mulheres Ana Paula Bordin estreia no mundo literário com A Flor da Savana, uma obra que entrelaça romance, autodescoberta e reflexões sociais profundas. Ambientado na savana da África do Sul, o livro acompanha Izabel, uma ranger que, em meio aos desafios de sua profissão, encontra um amor inesperado que transforma sua vida.
A trama não se limita a um romance envolvente; ela traz à tona questões como machismo, racismo e desigualdades de gênero, elementos enriquecidos pela visão psicanalítica da autora. Ana Paula utiliza suas experiências pessoais e profissionais para criar personagens complexos que buscam libertar-se de suas próprias amarras emocionais.
Na entrevista a seguir, Ana Paula compartilha suas inspirações, os desafios da escrita e como suas visitas à savana sul-africana influenciaram a narrativa. Descubra mais sobre essa jornada de amor e empoderamento que promete emocionar e provocar reflexões nos leitores.

COMPRE LIVRO: https://amzn.to/3VHhHHc
LEIA A ENTREVISTA:
1. A Flor da Savana traz a África do Sul como pano de fundo. O que mais a fascinou nas visitas à savana e como essas experiências influenciaram o enredo e a construção dos personagens?
Como apreciadora de natureza, de fazer trilhas, descobrir roteiros pouco explorados, a savana trouxe tudo isso junto. Há possibilidades num mesmo lugar: observar a vida selvagem sem muita proteção, sem muito artifício, a magnitude natural das paisagens, o sol se pondo enquanto um leão vem na sua direção, uma família de elefantes se alimentando e nos observando atentos e cuidadosos com os filhotes… Tudo isso borbulhou dentro de mim, fazendo com que o enredo, as personagens, as tensões e os temas sociais nascessem como um lindo presente.
Traduzi essas possibilidades em palavras organizadas para um texto, que foi crescendo e tornou-se essa saga.
2. A protagonista, Izabel, trabalha em um ambiente desafiador como ranger. De que forma essa profissão e cenário impactam sua jornada de autoconhecimento e o relacionamento com Martin Sipho?
A busca por esse trabalho já fala muito da nossa protagonista, da quebra de paradigmas e sua reivindicação por um lugar no mundo, um lugar que ela queira, e não que lhe seja imposto. Martin vem para reconstruir tudo isso de maneira inesperada, e o grande ponto é se conseguirão esse feito ou como o farão, pois o processo de autoconhecimento e relacionamento entre ambos é complexo e traz bagagens emocionais estruturalmente difíceis.
3. A obra explora a complexidade das relações amorosas, mas também aborda temas como o racismo e a desigualdade de gênero. Como foi o processo de desenvolver essas questões de forma que se integrassem ao enredo e ainda permitissem momentos de reflexão?
Durante o processo criativo, pontuei temas que desejava abordar, dentre eles o racismo e a desigualdade de gênero, como você mencionou, e comecei a construir de que forma as personagens poderiam trazer isso para a discussão através de suas vivências, respeitando a abordagem leve que desejava imprimir ao texto e gerando reflexões não só durante a leitura, mas pós-leitura. Tanto o enredo quanto as personagens foram se desenrolando em minha mente durante a viagem e de forma natural. Então, o que eu precisei olhar durante o processo de escrita foi como ilustrar em palavras o que tinha vivido, sentido e idealizado durante os dias de observação e as noites de anotações.
4. Como psicanalista e mentora de mulheres, você acredita que essas vivências profissionais influenciam sua escrita? Como esses conhecimentos ajudaram a criar a narrativa de A Flor da Savana?
Com certeza, minha escrita é constantemente influenciada pelo que observo no comportamento humano, especialmente pelo que vivencio como profissional que apoia e acompanha mulheres em suas jornadas pessoais e profissionais. Vale ressaltar que tanto a Izabel quanto o enredo nasceram em minha mente antes da minha atuação como psicanalista, porém foi a partir daí que despertei para estudar e desenvolver um trabalho mais profundo sobre a psiquê humana, o que me permitiu transpor tais conhecimentos para a obra. Foi como se a idealização dessa história me movimentasse para ir além do que eu já conhecia do comportamento humano. Vale entender que atuo diretamente com pessoas há mais de 20 anos, seja liderando no mundo comercial, seja desenvolvendo diretamente em mentorias e atendimentos.
5. Há algum motivo específico para a escolha da África do Sul como cenário para essa história de empoderamento e amor?
Como mencionei, a história nasceu em mim quando estava na África do Sul. Foi lá que deparei-me com uma realidade dolorosa e vívida de preconceito racial, com o fato de não haver nenhuma mulher trabalhando a frente dos safáris, o que acendeu a questão da disparidade de gênero. Conforme a viagem avançava, o enredo, as personagens e as tensões se desenrolavam à minha frente, eu as acolhi e dei-lhes vida em “A flor da savana”. Eu não escolhi a África do Sul, fui escolhida por ela como cenário do meu primeiro romance.
6. O livro trata da importância da cumplicidade feminina. Como você visualiza essa questão no enredo e qual a mensagem que gostaria de passar às leitoras?
Por décadas, fomos colocadas como rivais em inúmeras e diversos tipos de narrativas, e isso sempre vendeu muito e rendeu muitos prêmios. No entanto, é cada vez mais notório o quanto este discurso nada mais é do que uma alegoria desfigurada da rivalidade feminina e que vem sendo devorada pelo nosso comportamento de apoio. A saga completa (sim, teremos mais uma parte que está a caminho) ilustra, justamente, essa diferença de jornada conjunta das mulheres independentemente do quão diferentes possam ser suas escolhas. Acredito muito que essa seja a mensagem mais contundente que quero deixar para as leitoras: não importa qual a escolha da mulher a seu lado, orientação sexual, exercer ou não a maternidade, querer ou não participar do seu mundo, as escolhas da outra mulher são dela, e nós podemos só apoiar e respeitar, mesmo sem querer o mesmo para nós. Não somos rivais: quando uma mulher ganha, todas ganham. Respeito acima de tudo. Isso permeia muito a narrativa.
7. Como autora e palestrante, qual é sua mensagem para as mulheres que buscam fortalecer sua autoestima e autoconfiança?
Nascemos cheios de autoestima e autoconfiança, isso é um fato. Basta olharmos para os bebês. O ponto é que as perdemos à medida que observamos mais o externo (pessoas, ambiente, necessidades alheias) do que o interno (nossa essência, quem somos, o que queremos), então a primeira decisão é procurar ajuda profissional para entender onde, como e porquê a autoestima e autoconfiança foram perdidas (ou estão desgastada), e, a partir disso, exercer diariamente o hábito de amar-se, cuidar-se e nutrir esses pilares tão importantes. “A flor da savana” é a prova do que uma mulher com a autoconfiança curada realiza, pois este projeto só saiu do meu computador quando me curei, me cuidei e acolhi meu poder.
8. Para os leitores que querem explorar as nuances de A Flor da Savana, quais são os temas e emoções que você espera que eles vivenciem ao longo da leitura?
Numa leitura rápida podem emergir risadas, suspiros, quiçá um pouco de ranger de dentes, indicadores de algumas das emoções que o leitor sentirá logo no início. No entanto, numa leitura mais atenta e dedicada, o leitor perceberá que outras emoções emergirão, como alegria, medo, surpresa, tensão, amor, entre tantos outros, pois cada indivíduo levará de si a percepção desses sentimentos e como gerenciá-los. Adoraria ouvir dos próprios leitores o que sentiram ao terminar a leitura.
9. Quais são suas principais referências na literatura? Algum autor em especial a inspirou a seguir a carreira de escritora?
Nossa, eu sou uma leitora eclética, leio desde menina e amo experienciar novos gêneros, novos autores. Desde a infância, sou apaixonada por Pedro Bandeira, li e reli diversas obras dele, sendo a minha predileta na vida: “A droga da obediência”. Claro que romances românticos e com temáticas complexas me atraem muito e citarei, inclusive, um clássico que já li inúmeras vezes, embora seja um romance da escola realista, e toca meu coração sempre, justamente pela problemática das relações humanas, que é “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Mas poderia citar também Jorge Amado, Clarice Lispector.
Saindo dos clássicos e olhando para autores modernos tenho alguns queridinhos que sempre me presenteio com a leitura: Nora Roberts, Sidney Sheldon, Colleen Hoover, Stephen King, entre muitos outros, pois, como mencionei, gosto muito de experimentar e conhecer autores não “conhecidos” pelo mundo.
10. Poderia compartilhar se já há outros projetos literários em andamento ou ideias para novos livros no futuro?
Claro, é um prazer poder contar que a parte 2 d’A flor está na reta final de processo para publicação (acreditamos que abril/25 esteja sendo lançada). Tenho dois projetos já em preparação no plano mental, ou seja, as histórias estão prontas na minha cabeça (risos), porém nenhum deles recebeu ainda a atenção adequada para pesquisa e elaboração, ganharão vida tão logo seja possível dedicar-lhes o tempo merecido. Posso adiantar que um deles tem como protagonistas um jovem e seu avô num processo de despertar e o outro é sobre o recomeço de uma mãe e o desmoronar de uma família.
Deixe um comentário