Trama equilibra o suspense e o desenvolvimento emocional, trazendo à tona dilemas universais.

Em sua estreia literária com A Última Página, a autora Estéfani Martins Oliveira explora a complexidade da vida pessoal e profissional de Isabela Oliveira, uma investigadora assistente em crise, enquanto investiga um caso misterioso em Porto Alegre. No romance, o cenário urbano torna-se um personagem à parte, refletindo a própria trajetória da autora na cidade. Inspirada por figuras como Agatha Christie e marcada por suas experiências pessoais, Estéfani nos conta como criou uma trama que equilibra o suspense e o desenvolvimento emocional, trazendo à tona dilemas universais e reflexões sobre nossas próprias escolhas e desafios. Nesta entrevista, a autora compartilha o que a motivou, suas referências e as descobertas feitas ao longo de sua jornada de publicação independente.

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A Última Página é seu primeiro romance publicado. Poderia compartilhar
conosco o que a inspirou a escrever essa história?
Escrever sempre foi o meu propósito de vida. Ao longo da minha
trajetória profissional, venho desenvolvendo essa paixão através da
escrita publicitária e jornalística. No entanto, sempre tive o desejo de
me aventurar pelo campo literário. Desde pequena, sou fascinada por
livros de ficção, especialmente romances policiais, e sou uma grande fã
de Agatha Christie. Foi desse repertório e desse gosto pelo gênero que
nasceu a inspiração para “A Última Página”. Foi um processo de cerca de
um ano, apenas desenvolvendo a ideia central na minha mente, para depois
passá-la para o papel.
Porto Alegre é o cenário do seu livro e parece desempenhar um papel
fundamental na trama. Como a cidade influenciou a narrativa e a
construção dos personagens?
Ambientar a história em Porto Alegre foi uma escolha intencional, pois
queria valorizar a cidade onde vivo e criar uma experiência mais próxima
para os leitores, conectando-os a cenários familiares e reais. Embora eu
não seja natural de Porto Alegre, acredito que muitas das experiências e
sensações dos personagens ao interagirem com a cidade são inspiradas nas
impressões que eu também tive ao conhecê-la pela primeira vez.
Isabela Oliveira, a protagonista, vive uma crise profissional e pessoal
enquanto investiga um caso enigmático. Como você construiu essa
personagem e que aspectos da personalidade dela gostaria que os leitores
notassem?
Como costumo dizer, muito de mim está presente neste livro,
especialmente em relação à minha trajetória profissional. Em determinado
momento, passei por um dilema parecido com o de Isabela, questionando
minhas escolhas e se realmente estava na carreira certa. Decidi, então,
trazer esse tema para o livro e explorá-lo de forma aberta. Fala-se
muito sobre a satisfação de trabalhar na área escolhida após a formação,
mas raramente se discute o quanto isso também pode ser frustrante. Não
só pela possibilidade de descobrir que talvez aquela não seja exatamente
a vocação ideal, mas também pela dificuldade em encontrar o papel ou o
ambiente certo dentro dessa escolha. Acredito que essa é uma das
principais mensagens que busquei passar com a personagem: o desafio de
considerar novas possibilidades e de redescobrir o próprio caminho.
Existe algum autor ou autora que tenha influenciado seu estilo no
suspense policial? Quais são suas principais referências no gênero?
Sim. Agatha Christie, sem dúvida, foi a autora que mais me inspirou, não
apenas neste livro, mas também na decisão de começar a escrever. Além
das referências literárias, não posso deixar de mencionar duas pessoas
fundamentais na minha vida, que sempre incentivaram minha paixão pela
arte e tiveram uma grande influência em quem sou hoje: meus pais. Quando
eu tinha cerca de cinco anos, lembro do meu pai me contar histórias
todas as noites sobre o “Pintinho e o Cavalinho”, e eu ficava fascinada
pela criatividade dele. Com o tempo, comecei a contar minhas próprias
histórias. Minha mãe, por sua vez, sempre me apoiou nas atividades
escolares, nunca faltando a uma apresentação.
Durante a criação da trama, quais foram os principais desafios em
equilibrar o suspense e o desenvolvimento emocional da protagonista?
Como jornalista, meu principal desafio foi trabalhar nas descrições,
tanto de cenários quanto de sentimentos, já que minha escrita tende a
ser bastante objetiva. Quanto ao desenvolvimento emocional da
personagem, optei por abordá-lo de forma mais sutil, deixando que suas
escolhas transmitissem o que ela sente. O livro contém pequenos detalhes
que podem ou não ser percebidos, como a questão da crise na carreira e
algumas críticas sociais. Meu objetivo foi que cada leitor interpretasse
à sua maneira. Alguns poderão focar mais na questão profissional, outros
nas críticas sociais, conforme suas experiências e o momento que estão
vivendo.
Você mencionou que o lançamento do livro é uma realização pessoal. Qual
foi a sua maior descoberta no processo de produção e publicação
independente?
Descobri que amo escrever tanto quanto amo meu trabalho. Trabalho com
marketing, então muitos aspectos da produção e publicação independente
me são familiares, como a necessidade de fazer tudo sozinho. E adorei
cada decisão ao longo desse processo. Foi extremamente trabalhoso e
demandou bastante tempo, mas o resultado foi um livro e um lançamento
exatamente do jeito que sempre sonhei.
A investigação de Isabela a leva a questionar seu próprio instinto. Esse
conflito reflete alguma experiência pessoal sua ou é inspirado em algo
que observou na vida real?
Reflete bastante a fase em que tive os mesmos questionamentos de Isabela
em relação à carreira. Acredito que, nesse sentido, trouxe muito da
minha própria experiência e dos sentimentos que vivi naquele momento.
Que tipo de reação espera dos leitores ao final da leitura de A Última
Página?
Há algo específico que espera que eles reflitam após a leitura?
Apesar de ser uma ficção, um romance policial, em que é mais difícil
transmitir uma mensagem profunda além do entretenimento, espero que os
leitores consigam mergulhar um pouco mais nas questões por trás do
enredo. Gostaria que percebessem as críticas sociais e refletissem sobre
elas. No entanto, acredito que a principal mensagem que tentei
transmitir, de forma um tanto sutil, é que a última página nem sempre é
a mais importante, tanto literalmente quanto metaforicamente.
Por fim, tem novos projetos literários em andamento? Podemos esperar
mais livros de suspense ou planeja explorar outros gêneros no futuro?
Sim. Já estou pensando em um segundo livro com a Isabela. Não será
exatamente uma continuação, pois a história poderá ser lida de forma
independente, mas seguirá no mesmo gênero.
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