Autor de “Tudo Faz Sentido” defende que unir saberes leva a soluções mais sustentáveis.

O pesquisador e escritor brasileiro João Silveira, radicado na França, aborda em seu livro, Tudo Faz Sentido: Ligando os Pontos entre Arte, Ciência e Inovação, uma perspectiva transdisciplinar que une o rigor científico à expressividade artística. Com uma carreira diversificada, que inclui experiências como bailarino profissional e farmacêutico, Silveira traz uma visão única sobre a relevância da integração entre diferentes áreas do conhecimento. Em entrevista ao blog, ele nos fala sobre como a junção de hard e soft skills pode gerar inovação e colaborar para enfrentar os complexos desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas e a desigualdade social.



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Confira a entrevista:

Tudo Faz Sentido parte de uma ideia fundamental: a união entre arte e ciência. Como surgiu a inspiração para explorar esse conceito e transformá-lo em um livro? 

A inspiração para Tudo Faz Sentido nasceu da minha jornada pessoal, marcada pela convivência entre duas paixões aparentemente desconectadas: a ciência e a dança. Desde pequeno, em uma cidade do interior do Sul do Brasil, eu era fascinado pela ciência, mas também dançava e buscava formas de expressar minha criatividade. Mais tarde, ao me formar farmacêutico e atuar como bailarino, percebi que existia uma dualidade em minha trajetória que o mundo não parecia validar. O momento decisivo foi quando conheci Denise, uma pesquisadora com visão transdisciplinar, e entendi que essa integração entre ciência e arte não era um conflito, mas uma força. O livro é resultado dessa revelação e das descobertas que seguiram, conectando essas áreas para entender e enfrentar os desafios modernos.

Você menciona que grandes personalidades, como Leonardo da Vinci e Einstein, uniram diferentes campos de conhecimento em suas obras. Há alguém na atualidade que inspire sua visão de transdisciplinaridade?

Empreendedores são exemplos naturais de transdisciplinaridade, pois precisam unir gestão, criatividade, tecnologia e habilidades interpessoais para liderar seus negócios de forma eficaz. Influencers também exemplificam essa qualidade, uma vez que devem não apenas criar conteúdos diversos, mas também dominar estratégias de comunicação, edição, análise de dados e tendências culturais para se manterem relevantes. No livro, cito Einstein e Da Vinci para que as pessoas possam visualizar exemplos icônicos do que é ser transdisciplinar. E, sempre brinco que o cara mais transdisciplinar que conheço é o Rodrigo Hilbert: ator, modelo, cozinheiro, carpinteiro, atleta — capaz de falar sobre qualquer assunto com propriedade.

Em termos práticos, como podemos fomentar essa combinação entre arte e ciência em nossa vida cotidiana? Existe algum exercício ou prática que você recomendaria? 

A prática começa com a curiosidade e a abertura para explorar áreas fora da nossa zona de conforto. Um exercício prático é adotar hobbies que complementem nossa atividade principal — por exemplo, um cientista pode tentar desenhar ou dançar, enquanto um artista pode estudar um campo da ciência que o intrigue. Essa mistura de experiências diversas alimenta a criatividade e amplia nossa capacidade de resolução de problemas.

Durante a sua pesquisa, houve algum momento em que percebeu algo novo sobre a relação entre arte e ciência? 

Sim, um dos momentos mais impactantes foi a descoberta de que a criatividade e a curiosidade que impulsionam cientistas de ponta muitas vezes são estimuladas por atividades artísticas. Estudos que analisei, como os que examinam vencedores do Prêmio Nobel, mostram que a afinidade com as artes é um diferencial importante entre cientistas excepcionais e bons cientistas. Isso reforçou minha crença de que a transdisciplinaridade é essencial para inovação.

O livro sugere que uma formação em soft skills e hard skills pode ser vantajosa no mundo contemporâneo. Poderia nos dar um exemplo de como essa combinação impactou sua vida profissional? 

Eu sempre fui uma pessoa que explorou múltiplas áreas: fui bailarino, farmacêutico, vendedor de equipamentos científicos, empreendedor e mais. Cada uma dessas experiências durou um bom tempo e me trouxe um relativo “sucesso”, mas o mais importante é como cada fase contribuiu para a construção da minha bagagem de soft e hard skills. O grande segredo foi conseguir juntar tudo isso. Após concluir meu doutorado, comecei a trabalhar como designer instrucional, e hoje, na França, coordeno a produção de conteúdo para uma espécie de universidade interna em uma empresa de tecnologia de energia e também dou aulas de inovação em uma universidade. Não teria alcançado essas oportunidades e aberto tantas portas se não fosse a habilidade de conectar saberes. Ser tecnicamente competente (hard skills) é crucial, mas saber se comunicar, falar outro idioma, entender de pessoas, fazer boas perguntas, lidar com situações difíceis, gerenciar problemas complexos e tantas outras soft skills foram determinantes para o meu crescimento profissional.

Sabemos que a obra já conquistou boas colocações em rankings da Amazon. Qual foi a recepção do público até agora? 

A recepção tem sido extremamente positiva, principalmente entre pessoas que compartilham interesses em múltiplas disciplinas. Elas veem o livro como uma validação de suas experiências e uma inspiração para aplicar uma visão integradora em suas próprias vidas. Isso me dá grande satisfação, pois o objetivo era justamente motivar e apoiar quem sente que suas paixões são amplas demais para se encaixar em uma única definição.

Que conselho você daria para os jovens que ainda estão escolhendo suas áreas de estudo e carreira, mas que sentem interesse tanto pelo lado criativo quanto pelo técnico? 

Meu conselho é: seja bom tecnicamente em uma coisa, ou em muitas, e aprofunde seu conhecimento em algumas áreas específicas. No entanto, mantenha a mente sempre aberta para aprender sobre diferentes campos. Não tenha medo de iniciar vários cursos e projetos — isso faz parte do processo de explorar suas paixões e habilidades. Mas lembre-se: é essencial aprender a concluir cada um deles antes de seguir para o próximo, pois essa disciplina é o que diferencia um projeto inacabado de uma experiência valiosa. E o que sempre digo aos meus estudantes é: não se preocupe em ter todas as respostas; preocupe-se em saber fazer as perguntas certas. Essa habilidade de questionar é o que realmente impulsiona o aprendizado e a inovação.

Muitos dos desafios que enfrentamos hoje são globais e complexos, como mudanças climáticas e desigualdade social. Como você acredita que a abordagem transdisciplinar possa contribuir para solucionar esses problemas? 

A abordagem transdisciplinar permite que problemas complexos sejam abordados com soluções mais completas e inovadoras. Ao conectar diferentes saberes, podemos criar alternativas que consideram aspectos técnicos, sociais e artísticos, promovendo soluções mais holísticas e sustentáveis. Isso é essencial para desafios como as mudanças climáticas, onde a ciência, a política e a sensibilização pública devem caminhar juntas.

Para os leitores que desejam conhecer mais sobre essa fusão de campos, você poderia indicar obras ou autores que também tenham influenciado sua visão sobre o tema? 

Há muitas referências que considero valiosas, e a bibliografia de Tudo Faz Sentido é extensa. Mas se o tema do livro inspirar os leitores, gostaria de destacar duas obras que menciono e que admiro profundamente: Artscience de David Edwards, uma obra que explora de forma brilhante a interseção entre arte e ciência (disponível apenas em inglês), e Einstein/Picasso de Arthur I. Miller, que analisa como esses dois gigantes conectaram suas visões criativas e científicas para revolucionar suas respectivas áreas. Essas leituras aprofundam a compreensão de como a transdisciplinaridade pode impulsionar a inovação e a criatividade.

Qual é o maior objetivo de Tudo Faz Sentido? O que você mais espera que os leitores absorvam dessa leitura? 

Espero que os leitores saiam com a convicção de que suas múltiplas paixões não são um fardo, mas uma vantagem. O maior objetivo é mostrar que é possível, e até necessário, conectar diferentes áreas do saber para criar soluções mais criativas e inovadoras. Que eles percebam que o caminho para enfrentar os desafios contemporâneos passa pela união de disciplinas e a valorização de uma mente aberta e exploratória.



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