“As estrelas sempre brilham acima das nuvens escuras” foi o resultado de um processo terapêutico que ajudou a autora atravessar um momento de luto.

Pat Müller é uma escritora que combina elementos de ficção cristã e ciência, criando narrativas envolventes e edificantes. Em nossa conversa, ela compartilha as inspirações e processos por trás de seu mais recente livro, “As estrelas sempre brilham acima das nuvens escuras”.

Digito com pressa, com as letras trocadas: “que dai é hejo?”. […] A tela se ilumina com uma foto da nossa família. Bem em cima da imagem, a data. Era, de fato, véspera de Natal. Do ano que vem.
(As estrelas sempre brilham acima das nuvens escuras, p. 32)

Descobertas e superações colidem nessa ficção com um toque de sci-fi lançada pela Editora Mundo Cristão, na qual o passado encontra o futuro e reascende a esperança no presente. Pat Müller oferece uma reflexão sobre a importância de manter a fé, mesmo em momentos sombrios. Compartilho abaixo o bate-papo (por e-mail) que tivemos sobre o livro, processo de escrita e afins:


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Quando pergunto o que a inspirou a escrever “As estrelas sempre brilham acima das nuvens escuras”, Pat afirma que:

Em meados de 2022, uma amiga comentou que não gostava do Natal em uma conversa no WhatsApp. No mesmo dia, uma personagem começou a se formar na minha mente. Essa adolescente cacheada e super decidida torcia o nariz para o Natal, mas ela tinha um motivo bem específico para isso. Anotei a ideia e comecei a escrever para participar do Nanowrimo, um desafio anual para escrever 50 mil palavras no mês de novembro. Abandonei nas primeiras três mil palavras e só voltei para a Vicky em agosto de 2023, depois que meu avô faleceu. Terminei de escrever no final de setembro de 2023 e foi um processo terapêutico que me ajudou a atravessar esse momento de luto.

Pergunto sobre como foi desenvolver a personagem Vicky e suas viagens no tempo. Ela responde:

Foi muito divertido e fácil. De uma forma muito estranha, a Vicky estava tão nítida em minha mente, bem como suas perambulações pelo tempo. Eu tinha um planejamento, mas em alguns momentos me permiti imaginar caminhos diferentes e aceitei inserções que a história foi cobrando. Descobri algumas coisas sobre a personagem conforme a escrevia e isso foi muito divertido. Eu me distraía facilmente escrevendo a história da Vicky, passando algumas horas totalmente imersa nesse universo.

Sobre a importância do guarda-chuva vermelho na história, Pat explica que:

O guarda-chuva é a chave que permite que a Vicky viaje pelo passado e futuro, mas é muito mais do que isso. Em um trecho, a personagem Rosa nos diz: “Memórias são o que são! Da mesma forma que ninguém fica com um guarda-chuva na cabeça o tempo todo, devemos saber quando usá-las e quando deixá-las na bolsa ou em um armário quietinhas e bem guardadas. Ninguém consegue viver uma vida tranquila e em paz se ficar com um guarda-chuva o tempo todo na mão. Banhos de chuva também são bons eventualmente”.

Muito além de ser a chave que transporta a Vicky pelo tempo, o guarda-chuva é uma analogia, uma referência às memórias que carregamos e sua importância. Assim como há um tempo determinado para todas as coisas, há momentos em que o guarda-chuva vai nos proteger da chuva, mas talvez seja divertido experimentar um banho de chuva e deixá-lo de lado para viver uma experiência nova.

Pergunto quais são os principais temas abordados no livro. Ela responde:

A Vicky passa por um processo de superação da perda do avô e de recuperação (ou transformação) da sua fé. Ela entende que entregar os planos e sonhos nas mãos de Deus é a melhor forma de viver. Portanto, os principais temas são: superação do luto, redescoberta da fé e valorização da família e dos amigos.

Sobre o conceito de perdão e redenção explorado na trama, Pat comenta que:

A Vicky passou a confiar totalmente em seus planos após a morte do avô. Secretamente, ela queria se livrar do sentimento de culpa que sentia, pois julgava ser a responsável pela morte do avô, que faleceu por conta do Covid-19. Fugindo desse sentimento e da culpa, ela se concentrou em ser a melhor aluna e se redimir perante a família, tendo uma carreira de sucesso. No meio do caminho, ela recebe um guarda-chuva de presente que muda tudo e ela entende que precisava se perdoar e aceitar o perdão que Deus tinha para ela. Na fala de sua avó, nós lemos: “(…) nossos pecados e erros precisam ser entregues nas mãos de Deus. Ele perdoa as nossas dívidas.”

Ela percebe que a fé que julgava ter não era dela, mas de seu avô. A forma como ela levava a vida e seus relacionamentos a conduziam para um caminho largo de destruição. Em um momento especial, ela tem um encontro sincero com Deus e entrega tudo nas mãos dele, percebendo e aceitando a necessidade de confiança no Senhor.

Quando pergunto como foi integrar elementos de ficção científica com a mensagem cristã, ela afirma que:

Foi natural! No meio da pandemia, reli todas as Crônicas de Nárnia, que com certeza tiveram sua influência no processo de criação da história da Vicky. Acho que uma das formas mais eficazes de conversar com o público mais jovem é através de histórias e, se pudermos usar nossa criatividade para fazer isso, melhor ainda.

Pergunto quanto tempo levou para concluir o livro. Pat explica que:

Comecei a escrever em 2022, mas abandonei e só retomei em agosto de 2023. No total, acredito que foram três meses escrevendo e outros três ou quatro meses editando e revisando.

Sobre algum capítulo ou cena que foi particularmente desafiador de escrever, ela comenta que:

Uma cena com a Vicky criança foi bem difícil porque não estava conseguindo transmitir a ideia que eu queria sem desconectar da idade da personagem. Mas contei com a ajuda da minha amiga Camila Antunes, autora de “Deixa Nevar”, que me auxiliou na edição prévia do livro. Ela tem uma filha pequena e é uma excelente profissional de edição. Também precisei ficar atenta às mudanças de datas entre as viagens no tempo, o que foi desafiador e divertido ao mesmo tempo.

Quando pergunto como foi a experiência de escrever um romance que mistura ficção cristã e sci-fi, ela afirma que:

Apesar de parecer desafiador, escrever esse livro foi muito natural e prazeroso. Talvez pela época em que o escrevi e pela temática que acabou sarando algumas feridas no meu coração, mas foi uma experiência muito boa e divertida que espero poder vivenciar novamente.

Pergunto qual é a sua conexão pessoal com a fé e como isso influencia sua escrita. Pat responde que:

Caminho com Jesus há alguns anos, cerca de 12 anos, e não consigo me imaginar sem Ele. Como bem disse Calvino: se há algo de bom em mim é Cristo. Então, se escrevo é porque Cristo tem me sustentado e permitido que eu conte histórias para glorificar o Seu nome. Nessa jornada, é inevitável que meus personagens sejam alcançados pela mesma graça que me encontrou no chão do meu quarto após uma conversa pelo (falecido) MSN. Eles aprendem com Cristo como eu aprendo e reconhecem o poder transformador do Amor porque tenho sido surpreendida nessa jornada a cada amanhecer com as misericórdias do Senhor se renovando. É inevitável que minha fé esteja em cada frase, vírgula ou pontinho de tinta das minhas obras. Sou filha de um Deus criador que manifesta Seu amor, glória e poder em cada parte da Sua criação. E pela misericórdia dEle, sou cocriadora nesse tempo, contando histórias que apontam para Ele.

Sobre como sua formação em Ciências Ambientais e Escrita Criativa contribui para suas obras, ela afirma que:

Minha formação está refletida nos comentários da Vicky, como quando ela reclama da quantidade de plástico de uso único que vemos na época de Natal devido aos presentes e às compras desenfreadas. A maioria dos meus personagens possui uma consciência ambiental bem aguçada e isso vem da minha formação. Quando o personagem não tem esse senso, é justamente para levantar uma questão no enredo sobre isso.

Pergunto se ela está trabalhando em algum novo projeto literário atualmente. Pat revela que:

Estou! Em 2025, teremos uma surpresa muito especial para os leitores. Estou nos últimos parágrafos do primeiro rascunho e, em breve, o livro vai descansar antes de ser entregue para a edição. Estou animada com a mensagem desse próximo projeto.

Quando pergunto o que ela espera que os leitores tirem de “As estrelas sempre brilham acima das nuvens escuras”, ela comenta que:

Espero que os leitores percebam que os planos de Deus são maiores que os nossos e que Ele está no controle de tudo. Espero que a próxima vez que eles olharem para uma noite estrelada, reconheçam ali a grandeza do nosso Pai e o glorifiquem pela sua bondade e misericórdia. E espero muitos sorrisos, que saiam com os corações quentinhos e alegres e cheios de esperança para tudo o que o Senhor ainda tem para cada um.

Sobre como tem sido a recepção dos leitores até agora, ela afirma que:

Tem sido um momento mágico. Às vezes tenho a sensação de que quem está viajando no tempo sou eu, observando tudo o que o Senhor está fazendo e lembrando daquela garotinha que escrevia poemas rimando “flor” com “amor” e “saudade” com algum advérbio de afirmação que soasse bonito. Sou muito grata por cada leitor que me envia mensagens dizendo que leu e gostou ou que teve um mini surto ao ver meu livro em uma livraria… Deus é bom.

Pergunto se alguma reação ou feedback dos leitores a surpreendeu. Ela responde que:

Sim! Algo curioso aconteceu. As cinco primeiras mensagens que recebi disseram a mesma coisa: parecia que estava assistindo a um filme. Achei curioso que todas expressaram o mesmo sentimento e já estou animada com a ideia de transformar esse livro em um filme.



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